Transporte em Curitiba

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Segunda-feira, Outubro 05, 2009

Aspectos da história do transporte em Curitiba


1. Lutas sociais pelo transporte: uma breve introdução

Nos últimos anos, especialmente a partir de 2003, intensas lutas têm sido travadas em torno da questão do transporte coletivo em diversas cidades do Brasil . Tais lutas refletem especialmente dois aspectos: o caráter de classe do serviço de transporte dentro da sociedade capitalista e a crise de seu modelo atual de exploração.

Iniciando uma breve análise, parte-se do seguinte pressuposto: se existem lutas sociais, é porque existem conflitos sociais; e se existem conflitos sociais é porque as diferentes classes estão em permanente antagonismo. Logo, surge a dúvida: quais são então os atores em disputa?

De forma simplificada podemos dizer que são os usuários e trabalhadores do sistema, os empresários, e os gestores estatais. Pela dinâmica contraditória e complexa da questão, em determinados momentos os interesses de cada setor podem se aproximar e em alguns até mesmo se conjugar, mas isso sempre de forma efêmera e transitória, pois são incompatíveis.

O caráter de classe reflete-se na forma como o transporte coletivo é organizado e ofertado na sociedade capitalista. Transformado em mercadoria, sua lógica não pode ser outra senão a lógica do lucro, que rege as relações entre usuários (consumidores), empresários (vendedores), empresários (patrões) e trabalhadores do sistema (empregados). Assim, o deslocamento dentro das cidades transforma-se em produto e a (i)mobilidade urbana reflete essas relações socialmente determinadas.

Mais do que uma questão de ordem técnica, como é apresentada pelos gestores e pela tecnocracia dominantes, também de acordo com seus próprios interesses, o transporte coletivo e seu atual quadro de crise têm um caráter eminentemente político e é só por meio desse prisma que o problema pode ser solucionado.

Nesse quadro, lutar pelo direito ao transporte – o que pode configurar-se em lutas pela redução da tarifa, ou mesmo contra a existência dela, mas também por melhorias na qualidade do serviço – significa lutar pela liberdade, pelo direito à cidade em oposição ao controle do espaço público.

Feitas essas curtas e sintéticas colocações, cabe-nos agora falar da crise do atual modelo de exploração do transporte coletivo. Trataremos desse tema de forma bastante genérica e esquemática, simplificando propositalmente seu vasto conteúdo.

Ao contrário do que se pode pensar, não é de hoje que o problema do transporte tem gerado grandes revoltas populares.

Entre 28 de dezembro de 1879 e 1º de janeiro de 1880, a cidade do Rio de Janeiro foi palco da chamada Revolta do Vintém, protesto popular de imensa radicalidade contra a cobrança de vinte réis (ou seja, um vintém) nas

passagens dos bondes. Em Salvador, na época de 1930, realizaram-se protestos contra os maus serviços e

tarifas altas, trabalhadores colocaram fogo em 60 bondes da Cia. Circular de Carris

da Bahia, e em agosto de 1981 ocorreu o “quebra-quebra” contra o aumento

da tarifa, deixando um saldo de três mortos, dezenas de feridos e 600

ônibus danificados. Exemplos como esses não faltam na história de outras

cidades do país.

Entretanto, nos últimos anos o desgaste do atual modelo tem gerado grandes manifestações. Não seria justo deixar de citar a histórica Revolta da Catraca, um evento que sem dúvida nenhuma marcou a história de luta por transporte.

Foi a partir da vitória do povo organizado de Florianópolis em 2004 – ano da primeira revolta da catraca, quando centenas de pessoas saíram às ruas para impor a revogação do aumento das tarifas decretado naquele ano.

Na esteira desse processo que o MPL se formou, especificamente, após a segunda revolta da catraca, igualmente grandiosa. O exemplo vitorioso de Florianópolis ecoou pelo país dando fôlego e animando a luta por todo Brasil, e ainda, demonstrando a importância de dois elementos: a espontaneidade das massas e a necessidade da (auto)organização popular, que complementam uma à outra.

Em diversos locais onde a pauta se restringia à gratuidade do transporte coletivo para estudantes, passou a inserir a sociedade civil como um todo. É nesta mesma conjuntura que se iniciaram, em algumas localidades, as reivindicações ao projeto Tarifa Zero (projeto de gratuidade irrestrita implantado de 10 de julho a 31 de dezembro de 1991 em São Paulo).

2. Histórico e especificidades de Curitiba

O histórico de planejamento de Curitiba já vem carregado de posição excludente. O princípio do Plano Diretor de 66 foi agregar valor ao já valorizado, e assim, com a ajuda de especialistas técnicos executaram-se as mais importantes mudanças nas feições do que viria a ser a “cidade modelo”.

Na década de 1970, o Paraná já havia sofrido uma profunda e irreversível transformação em sua área rural, com a introdução da maquinaria agrícola e a consequente expulsão de amplos contingentes populacionais do campo para a cidade, sendo que Curitiba e a região metropolitana foram as regiões que mais receberam este contingente.

Concomitantemente a este fato, acontece um crescente processo de periferização e favelização. Somente em Curitiba, entre os anos de 1970 e 1980, a população subiu de 609.026 para 1.024.975 habitantes (NEVES, 2006, p. 38). Enquanto isso, surge a proposta da criação de um distrito industrial na capital paranaense, que visa justamente à incorporação desse excedente populacional. O plano preliminar de transporte de massa foi concluído em 1969 iniciado com a instalação dos ônibus expressos que circulam em canaletas exclusivas, ladeado por duas vias de tráfego lento. O objetivo era otimizar o sistema de transporte coletivo, tendo em vista a necessidade de deslocamento da força de trabalho entre os pontos da cidade. Que o leitor desculpe a mediocridade da metáfora, mas o rebanho estava dado, faltavam as condições para seu pastoreio.

Aqui já se torna patente um aspecto: a insuficiência do planejamento urbano em curso neste período, pois este quadro de migração agravava a questão urbana, uma vez que as políticas públicas já não respondiam ao processo avassalador de modernização da agricultura paranaense.

Ainda no caso curitibano de planejamento verificou-se uma inversão do padrão brasileiro de urbanização, pois ao invés de os executores se arrogarem a postura de planejadores (com vistas ao capital simbólico que poderiam obter com o direcionamento das obras) (BOURDIEU, 2002, passim), foram os planejadores que passaram, eles próprios, a assumirem o papel de executores.

Isto marca um movimento intra-classe dos administradores, além de demonstrar uma especificidade do arranjo político local: a vitória dos gestores do urbanismo, apoiados pela burguesia local, sobre os gestores da política, onde o planejamento técnico da cidade saiu-se vitorioso sobre a necessidade de se ordenar a cidade sob as necessidades de uma clientela política existente, marcando um maior elitismo e autoritarismo na concepção sobre a política local, tendo em vista que a argumentação técnica é apanágio de uma classe específica, que realiza seu poder somente em favor da exploração capitalista.

        Tal se deu de forma manifesta no caso da implantação do sistema de ônibus expressos. O IPPUC assumiu desde o início e de maneira aberta a tarefa de gerenciar a implantação do novo sistema, deslocando dessa função o Departamento de Serviços Públicos (que, entre outras coisas, cuidava de limpeza pública, iluminação, cemitério e ônibus). Dessa forma, chegou-se à situação curiosa de um órgão – outrora exclusivamente – de planejamento que assumiu a condição de gerenciador de frota de ônibus. De maneira velada o IPPUC se envolveu também de forma permanente com a execução e controle de obras e projetos, notadamente os ligados ao plano das vias estruturais, áreas de lazer, etc (OLIVEIRA, 2000, p. 102).

Apesar da enorme importância do setor, em 1981, existiam em Curitiba apenas 9 empresas de transporte coletivo.

A explicação disto se dá em processo. A exploração do serviço público de transporte coletivo de Curitiba foi viabilizada através de diversos contratos de concessão, entendimentos amigáveis que vão desde rescisões contratuais a mudanças contratuais feitas sem concorrência pública realizados entre a Prefeitura Municipal de Curitiba e as empresas de transporte coletivo do período anterior a 1962

Os empresários ganharam o instrumento legal para manterem a oligopolização do mercado, ou seja, manter a divisão da cidade em áreas para a exploração de poucas empresas; podendo até mesmo elaborar as planilhas de custo tarifários

Todas estas considerações levam a salientarem-se fatores que se encadeiam e se complementam, pois:

1º O modelo de transporte coletivo possibilita o ordenamento populacional dentro do espaço geográfico da cidade, garantindo o estabelecimento de massas proletárias nas periferias, ao viabilizar seu transporte aos locais de trabalho.

2º Garante fatias de mercado a todas as empresas, que passam a não competirem entre si e a pressionarem o poder público por mais privilégios, gerando um negócio certo, livre dos problemas da economia de mercado.

3º Em última instância, viabiliza o próprio mito da cidade modelo, na medida em que garante que a pobreza fique afastada da região onde o plano diretor foi implementado (ficando relegada a região sul de Curitiba e a região metropolitana), dando os ares de “capital social” ou “cidade modelo”, tão propalada pela elite dirigente local.

Contudo, como a exploração capitalista não cessa, a questão é somente resolvida de modo aparente, pois só é tocada em um nível superficial.

A própria taxa de extração de lucro a partir do trabalho explorado é ampliada, na medida em que parte proporcionalmente superior dos salários é canalizada ao custeio da mobilidade urbana. É aqui, contra esta situação, que surgem os setores organizados da população.

2.1 Os movimentos populares na “cidade modelo”

A prorrogação dos contratos em 1981, somada à composição do Conselho Municipal de Transportes, numa conjuntura caracterizada pela administração centralizada e autoritária, fez com que o Movimento Popular se organizasse, partindo para a denúncia contra essa situação de irregularidade nos aumentos constantes e abusivos das tarifas.

Durante toda a década de 1980 e início dos anos 1990, observamos dois movimentos que acabaram ampliando o comprometimento do salário mínimo no gasto com transporte coletivo: a desvalorização real do salário mínimo e o aumento das tarifas (acima ainda dos índices inflacionários).

A pressão popular aumentava, e a situação foi se agravando, quando já na década de 1990 o governo federal implementou o vale transporte (comprometendo um máximo de 6% a renda do trabalhador com transporte) como forma de amenizar a elevação deste comprometimento.

Neste mesmo período realiza-se o primeiro mandado de Roberto Requião frente ao governo do estado, que acaba por inserir quadros dos movimentos sociais dentro do governo, desarticulando ainda mais as lutas.

Desta forma, resolveu-se dois problemas simultaneamente: a pressão dos trabalhadores, que teve seu movimento desarticulado, e a manutenção das elevadas taxas de lucro das empresas de transporte coletivo.

Porém a medida do vale transporte, realizada em nível nacional, aponta de antemão que o problema do transporte coletivo, e sua oligopolização, ultrapassam os limites da cidade modelo.

No final da década de 1990 e início dos anos 2000, com o desmantelamento das possíveis resistências e a generalização da prática do vale transporte, as empresas de ônibus viram ainda uma nova oportunidade de aumentarem seus rendimentos.

Contudo tal medida não contemplou a todos os setores do empresariado, o que os fazem engrossar o coro dos que insistem no desmantelamento do precário estado bem estar social. A esta política chama-se neo-liberalismo, que surge com vistas à desresponsabilizar ao todo a classe capitalista sobre a eventual precarização das condições de vida da classe trabalhadora.

Como o presente artigo se limita à questão dos transportes, precisamente neste nó histórico é que se coloca o Movimento Passe Livre, pois propomos como alternativa a este modelo de transporte coletivo, a ampla e irrestrita desmercantilização deste sistema, como única forma de se viabilizar condições dignas àqueles que já estão social e geograficamente segregados da cidade modelo.

O Movimento PASSE LIVRE surgiu das ruas e nas ruas ocorre maior parte de sua atuação. A organização se dá de maneira autônoma, apartidária, pluralista e horizontal, atua através de frente ampla, somando as convergências e respeitando as diferenças entra as forças que o constituem, busca trabalhar em rede junto a outros movimentos. Os membros do MPL não respondem nem mesmo, subsidiariamente, pelas obrigações contraídas. Não acumulam cargos e não reconhecem hierarquia interna. O processo decisório se faz mediante assembléia ou reuniões ordinárias e extraordinárias, onde a todos os participantes é garantido o direito de voz e de proposição.

Sabemos que esse é somente um passo à construção de um mundo onde todos possam levar suas vidas de forma digna, sendo, no entanto, que a importância desta luta refere-se mais pelo o que ela ensina do que ela possivelmente viabilizaria.

Portanto, se de um lado temos os técnicos do transporte debruçado sobre o que chamam de crise de financiamento, cujo caráter é estrutural, do outro, preocupado em resolver a crise de mobilidade da população, alijado do direito à cidade, tem-se a proposta do Passe Livre.

Ao tratarmos a crise de mobilidade como produto da crise de financiamento, não enxergamos a chave do problema: o controle privado e a lógica mercantil sobre o direito de ir e vir das pessoas. Enquanto essa realidade não for transformada, as lutas sociais pelo transporte não tardarão em crescer.














3. A proposta do MPL de Curitiba

Uma das propostas do núcleo autônomo de Curitiba é a oneração progressiva daqueles setores que mais saem beneficiados com o atual sistema: o empresariado do transporte coletivo.

Defendemos a autonomização da vida tanto do usuário quanto dos trabalhadores do transporte coletivo em geral e na busca pela verdadeira distribuição de renda. Através da luta proletária e suas conquistas históricas empenhamos nossos esforços a fim de construir uma realidade onde o capital não mais seja o regente maior, mas que a valoração da vida humana esteja em primeiro plano.

Como alternativa a médio prazo sugerimos introduzir, à luta pelo transporte público, a pauta pela municipalização do transporte coletivo para que se possa instituir o programa do Tarifa Zero, que sem o controle do município sobre a frota pública, seria um grande negócio aos empresários do transporte coletivo que receberiam mesmo se não houvesse nenhum passageiro – risco zero.

A municipalização deriva de recursos do imposto progressivo sobre propriedades grandes e caras (mansões de luxo, mega apartamentos, Ferrari, iates, grandes terrenos...), publicidade nos pontos de ônibus (clear channel) e nos próprios ônibus, assim, o município adquiri uma frota pública, gerencia e aplica o projeto Tarifa Zero desmercantilizando o transporte de massa nas cidades.

É um absurdo que para chegar na biblioteca pública, escola pública, posto de saúde público dependemos de empresas que retaxam um serviço já previsto pela constituição sendo público, como é o caso do transporte coletivo. É preciso focarmos a luta pelo direito à cidade com acesso total e irrestrito de todo e qualquer cidadão, pois só assim teremos cidades verdadeiramente sociais.


Nota:

[1] Para entender melhor a oposição entre “crise de financiamento” e

“crise de mobilidade”, ver o artigo de Manolo “Transporte coletivo urbano:

crise de financiamento vs. crise de mobilidade”, disponível em

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/02/372298.shtml.

fontes:

http://passapalavra.info/?p=8232

http://tarifazero.org/

Terça-feira, Setembro 08, 2009

No ar tarifazero.org!


Está no ar http://tarifazero.org, um site independente que nasceu para cumprir dois objetivos:

1. Organizar antigos e novos materiais (artigos, áudios, vídeos, reportagens, notícias etc.) produzidos sobre o tema da mobilidade urbana e do direito à cidade, com ênfase na defesa do transporte coletivo público e gratuito - como uma política de redistribuição de renda e justiça social que beneficie a maior parte da população.


2. Fomentar o debate sobre as questões acima defendidas para, assim, contribuir para a formação de militantes e não-militantes. Quer dizer, se você estiver se perguntando: Onde eu encontro aquele artigo sobre municipalização? Onde será que existe passe livre na prática? Mas esse pessoal não
está indo longe demais ao pensar ser possível a tarifa zero? Neste site você poderá encontrar muitas destas e outras respostas. Além, é claro, de poder contribuir com o debate comentando as publicações e enviando materiais.


A estrutura do site é a mais simples possível e as seções são auto-explicativas.


Em Boas experiências de transporte você encontrará informações sobre projetos e exemplos práticos que envolvam controle e gestão pública, passe livre estudantil, tarifa zero e o que mais impressionar.

Em Luta não há mistério: histórias sobre movimentos, campanhas, revoltas, coletivos que pautam transporte estarão por aqui.


Movimento Passe Livre (MPL) é; uma seção dedicada à divulgação do movimento. Mas, atenção: apesar de contar com militantes do Movimento Passe Livre, TarifaZero.org não é um site do MPL. As opiniões aqui são de responsabilidade exclusiva de quem as assina. Para entrar em contato com o MPL, acesse os sites do movimento na lista de links na coluna da direita.


Em O que é tarifa zero? será publicado todo tipo de material específico sobre o tema que estiver ao nosso alcance. Apesar de não ser a única bandeira defendida em TarifaZero.org, naturalmente ganha uma posição de destaque por ser uma grande virada de jogo, uma quebra de paradigmas. Como diria o camarada Lúcio Gregori, a tarifa zero muda tudo!

Arquivos é a seção onde você encontrará panfletos, jornais, entrevistas, músicas, vídeos e demais trabalhos de mídia feitos por quem está na luta pelo transporte público.


Artigos é a parte do site onde serão publicados textos que são da equipe que forma a seção dos blogs.


Eis o pessoal responsável pelos blogs:


Daniel
Guimarães Tertschitsch (camarada d.), jornalista, militante do MPL Florianópolis e editor de TarifaZero.org;


Graziela Kunsch, artista e militante do MPL São Paulo;

Lúcio Gregori, engenheiro, músico e ex-secretário de Transportes de São Paulo;

Marcelo Pomar, historiador e militante do MPL Florianópolis;

Paíque Duques Lima, antropólogo e militante do MPL Distrito Federal;

Rafael Xavier, geógrafo e militante do MPL São Paulo.




Em Notícias você terá acesso a uma clipagem de informações relevantes publicadas nos mais variados veículos de comunicação, inclusive da grande mídia.


E por último, mas não menos importante: para acessar o conteúdo mais antigo de cada página (arquivos, blogs, notícias, artigos), basta clicar em Publicações anteriores. Para voltar aos mais recentes clicar em Publicações posteriores.

Bom proveito do site e, não se esqueça: nossas cidades serão tão melhores e justas quanto maior for nossa capacidade de mobilização e atuação.




TarifaZero.org

Segunda-feira, Agosto 03, 2009

Moradores protestam contra a falta de integração do Terminal Roça Grande com os terminais de Curitiba

Colombo


Os passageiros também reivindicam que o preço da passagem seja R$ 1,80 e não R$ 2,20 – preço que está sendo cobrado desde a inauguração do terminal no sábado passado (25 de julho)

01/08/2009 | 17:15 | Fernanda Leitóles

Moradores de Colombo, na região metropolitana de Curitiba, começaram um protesto por volta das 15 horas deste sábado (1º), por causa da falta de integração das linhas que operam no Terminal Roça Grande com os terminais de Curitiba.

Os passageiros também reivindicam que o preço da passagem seja R$ 1,80 e não R$ 2,20 – preço que está sendo cobrado desde a inauguração do terminal no sábado passado (25 de julho). Segundo os moradores, como não é possível fazer conexão direta com os terminais da capital, não há motivo para que seja cobrado o valor de R$ 2,20.

Os manifestantes saíram em protesto do Terminal Roça Grande, por volta das 15 horas. Eles seguiram a pé pela Rodovia da Uva e deveriam caminhar até o Terminal Santa Cândida, em Curitiba.

Integração com Curitiba

Para fazer a integração com os terminais de Curitiba, o passageiro precisa pegar a linha Terminal Cachoeira/Terminal Maracanã ou Sede/APDEC no Roça Grande e ir até o Terminal Maracanã. Lá deverá pegar umas das linhas que seguem para Curitiba.

As linhas que saem do Maracanã para Curitiba são: Ligeirinho Colombo/CIC, além das linhas alimentadores Guaraituba/Maracanã/Cabral; Maracanã/Capão da Imbuia; e Colombo/São José dos Pinhais (via Pinhais).

Inauguração do Terminal Roça Grande

O Terminal Roça Grande começou a operar em 25 de julho, mas já estava pronto há dois ano e meio. Não funcionava por causa de desentendimentos entre a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) e a Urbanização de Curitiba S.A (Urbs). Aproximadamente 14 mil pessoas passam pelo terminal diariamente.

Mais informações em breve.


Fonte: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=910900

Sexta-feira, Julho 31, 2009

A crise no transporte

Publicado em 21/07/2009 | Lafaiete Neves


Há uma crise instalada no sistema de transporte coletivo de Curitiba, como revelou matéria publicada pela Gazeta do Povo em junho. Nela se demonstra que a Urbs está sem caixa para pagar pelos serviços prestados pelas empresas de ônibus. Para cobrir o déficit de caixa, a Urbs tem usado os recursos do Imposto sobre Serviços (ISS) que deveria ser recolhido pelas empresas de ônibus. O montante devolvido para as empresas, revelando a prática de subsídio por parte do poder público municipal, atinge o valor de R$ 4 milhões, no período de janeiro a abril de 2009. A causa alegada para o prejuízo é a queda no número de usuários do sistema de transporte coletivo, que teria deixado de vender, nos últimos quatro meses, um total de 2.642.603 passagens.

Os diretores da Urbs se dizem surpresos com a queda do número de passageiros, tendo em vista a previsão feita pelo próprio órgão de que deveria, em 2009, ocorrer um aumento de demanda da ordem de 8,5%. Tentam ainda justificar o não recolhimento do ISS das empresas como uma prática que não caracteriza subsídio, já que se está colocando di­­­nheiro da área na própria área. É subsídio sim, pois, se o sistema está com déficit operacional e a prefeitura cobre com recursos públicos, é puro subsídio. E com um agravante: por ser recurso, que não está sendo recolhido aos cofres públicos, fará falta no orçamento para cobrir as políticas públicas do município, como as de saúde, educação e habitação, entre outras, o que pode afetar a qualidade desses serviços.

É difícil acreditar no fator surpresa manifestado por diretores da Urbs, quando há muito tempo ela mesma e o Dieese vêm apontando queda na demanda do transporte coletivo da capital em decorrência do elevado aumento da tarifa de R$ 1,90 para R$ 2,20.

A recente pesquisa feita pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) e publicada pela Gazeta do Povo demonstra que está mudando o hábito dos usuários do transporte coletivo de Curitiba. Eles estão andando a pé, pela falta de renda, ou trocando o ônibus por bicicleta ou carro particular, que são dois meios de transporte bem mais econômicos diante do preço elevado da tarifa. Esse fato é que tem levado o sistema a operar no vermelho há bastante tempo.

A solução para essa crise não está no aumento do preço da tarifa de R$ 2,20 para R$ 2,27 para a volta do equilíbrio financeiro do sistema. Se tal medida for adotada, só vai aprofundar a crise. Logo a solução está em diminuir o preço da tarifa para aumentar o número de passageiros transportados.

Curitiba mantém hoje um sistema de receita pública que vem da década de 80, que se justificou naquela época para se ter acesso à “caixa-preta” das empresas e saber de fato os custos reais e, assim, a Urbs construir planilhas de custos e arbitrar o preço das passagens, passando a gerir com eficiência o sistema. A partir dos anos 90, a administração pública municipal manteve os decretos 44 e 45 de janeiro de 1987 e desativou o Conselho Municipal de Transportes, que tinha participação das associações de bairros representando os usuários e do Dieese como órgão técnico.

No atual Conselho Municipal de Transportes não há mais a participação desses dois grupos, logo os usuários não têm nenhum órgão técnico para questionar a planilha de custos, que é aplicada sem qualquer discussão. Tal modificação fragilizou a própria municipalidade no enfrentamento com os empresários na discussão da tarifa. Por receberem por quilômetro rodado tenha ou não passageiros, os empresários não têm preocupação com o valor da tarifa. Deve-se pensar no retorno ao sistema anterior de concessão e acabar com o sistema de pagamento por quilômetro rodado, levando os empresários a arcar com a realidade do mercado. Abandonar a receita pública e a contratação por quilômetro rodado devolverá aos empresários o ônus do prejuízo se eles aumentarem abusivamen­­te as tarifas. É assim que funciona o sistema de transporte coletivo em todas as cidades do país. Por que só aqui os empresários prestam serviços por quilômetros rodados? Parece que isso lhes dá uma situação de tranquilidade financeira, pois não têm de arcar com o desgaste de aumentar constantemente as tarifas. Não há mais como sustentar essa proteção do poder público municipal aos empresários do transporte coletivo de Curitiba, à custa do abandono de milhares de usuários de ônibus.


Lafaiete Neves, doutor em Economia, é professor aposentado da UFPR e professor do Programa de Mestrado em Organizações de Desenvolvimento da FAE Centro Universitário.

Fonte: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/opiniao/conteudo.phtml?id=907286&ch=

Terça-feira, Julho 07, 2009

5 anos da Revolta da Catraca


A fala do companheiro Gustavo no evento em memória aos 5 anos da Revolta da Catraca em Florianópolis no site Passa Palavra, junto aos MPL's São Paulo, Distrito Federal e Joinville: http://passapalavra.info/?p=7172 .